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Conto Taciturno

24, maio, 2009

…..Estava escuro, e por isso sentia medo de estar lá. Queria ligar para meu irmão pra avisá-lo que demoraria um pouco, mas algo me deixava inquieto: Por que estava eu no meio da rua?

- Dá teu celular pra iluminar aqui, cara!

…..Ao lembrar que não estava sozinho, lembrei também do que fazia lá: iluminava algo que parecia um computador para que ele olhasse. Mas à noite? Na rua? Estranhamente essas perguntas pareciam não ter resposta e eu nem me importava com as mesmas. Naquele momento o que importava era iluminar o aparelho para que o colega pudesse trabalhar.

…..Mas algo diferente aconteceu. Mais rápido do que eu poderia raciocinar uma bicicleta e dois homens apareceram no campo de visão e por instinto corri, mas tropecei e caí, jogando o celular longe.

- Mata ele, mata ele! Mata esse aí!

…..Senti o frio do cano da arma na testa - estranhamente real. Sem ao menos pensar, fechei os olhos o mais forte que pude e pedi: “Meu Deus, me ajuda!“. Se pedi uma ou cinco vezes não percebi.

…..No escuro dos olhos fechados e com aquele gelo do cano na testa, ouvi um “Desculpa, cara“. Apertei mais ainda os olhos e então meu corpo inteiro vibrou. Outra vez, mais forte e mais rápido. E outra vez, outra vez e mais uma vez, até chegar no limite da força e diminuir pouco a pouco, até cessar.

…..Silêncio. Não pareço morto e fico duvidoso quanto a isso até uma idéia vir à cabeça. Seguindo a, abro os olhos.

…..O conforto da cama me deixa assustado. Levanto e percebo estar desperto, ainda sentindo a dor da pressão do cano na cabeça. Como isso seria só um sonho?

Tudo é tão estranho.

Salamandra Salamandra , ,